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O copo

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Poesia marginal

Fui agarrado pelos braços
Beijado na boca
Fundido no sexo
Eclipsado no luar
Arrastado pelo colarinho
Acariciado na face
Estendido na rede
Jogado na lama
Embebedado
Amaldiçoado
Cingido com seu balsamo
Acreditado
desacreditado
Rolado pela rua
Na sarjeta esquecido
Desgraçadamente sorrindo
Inutilmente chorando
Fatalmente apaixonado
Morto pela mesma mão que escreve
Apunhalado pela faca que mata
Sugado nas noites
Inspirado por seu maldito suspiro
Ensurdecido por seu grito
Abjurei as religiões
Reneguei a política
Tornei-me louco
Tornei-me bandido
Saltando obstáculos
Equilibrei-me na corda invisível
Amei mulheres vis
Por elas fui deixado
Por elas fui maltratado
Assim dessa forma
Não tenho que reclamar
Minha poesia
Nem minha forma de pensar
Hoje aprendo com os passarinhos
E peço obrigado as flores
Que me deixam observá-las
Sem cobrar nada por isso
Agora tento acordar cedo
Na hora em que se inicia o dia
Casando-se com a noite
Mora o segredo
Em que se encontra a poesia.